Bastidores

O que faz uma peça ser Bro

Por Bro

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4 min de leitura


O grande diferencial da roupa Bro é simples de dizer e difícil de copiar: ela é muito testada. E quem testa sou eu.

Sou criteriosa, exigente. Avalio o caimento, a vestibilidade, o conforto — cada peça passa por mim antes de virar coleção. Uma roupa, pra mim, tem que ser confortável e um pouco sensual, mas sem nenhuma vulgaridade. Esse é o limite que eu não cruzo, e é ele que dá à Bro a cara que ela tem.

A roupa diz quem você é

Eu penso muito na mulher que vai vestir a peça.

As nossas clientes são, em boa parte, profissionais liberais — médicas, advogadas, mulheres que se cuidam e que estão acostumadas a serem vistas. A roupa de treino delas não é uma roupa qualquer: é uma imagem que elas passam, todos os dias, nos lugares que frequentam.

Uma cliente médica me disse uma vez que se sentia outra pessoa depois que começou a usar a roupa da Bro. Ela tinha ouvido de uma paciente que a profissional que ela era não combinava com a roupa que usava pra treinar. Aquilo a fez refletir. Quando ela chega de manhã pra atender, às seis horas, a imagem que ela passa importa — faz parte do cuidado que ela entrega à própria paciente.

É nisso que eu penso quando estou criando. Uma juíza usaria um decote muito aberto? A resposta é não. Ela não está num tribunal quando treina, mas continua sendo quem é, e a roupa precisa respeitar isso.

Ao mesmo tempo, eu não posso fazer só um tipo de roupa. Penso na mulher de 35, 40 anos, mas também na menina de 20 que quer vestir a marca. A Bro tem peças mais conservadoras e peças mais jovens — o que não muda, de uma à outra, é a sensualidade elegante.

De onde vêm as ideias

Eu observo muito. Sempre observei.

Não é só no treino, não é só na academia — é na rua, no dia a dia, em todo lugar. Vejo um decote bonito, um recorte elegante, e aquilo fica comigo. Pesquiso também, marcas internacionais e brasileiras. Mas a parte mais importante é a observação da vida real.

Quando eu trago um detalhe que vi pra um modelo da Bro, ele fica completamente diferente do que era — porque se junta a outros elementos, a outras referências. Aquele detalhe eu já vi funcionando na prática; não saiu da minha cabeça do nada.

E, no fim, tudo o que eu faço acaba saindo com a minha assinatura. Mesmo quando parto de referências diferentes, a peça sai com a minha cara. A gente não consegue fugir de quem é.

Como uma peça nasce

O processo de criação começa pelo que já deu certo.

Eu parto de produtos que foram um sucesso e procuro colocar neles características novas — uma propriedade tecnológica diferente, mais sustentação, mais compressão. A peça mantém a mesma finalidade, mas evolui. Um look que funcionou para a corrida, refeito com um tecido mais tecnológico, funciona ainda melhor.

Depois vem a modelagem. A Bro tem uma modelagem base para cada tipo de tecido — não é uma padaria, em que se faz sempre a mesma receita. Cada tecido pede uma estrutura própria. A partir da base certa, eu traço os recortes, os detalhes, faço o detalhamento. A modelagem vai para o digital, a peça é cortada e confeccionada.

Muitas vezes sou eu quem explica a montagem para as costureiras, porque o meu desenho não é um desenho técnico profissional. Então eu experimento a peça piloto, e é dali que saem as decisões: se está curta, se o gancho está alto demais, se o decote precisa subir, se a faixa do top está apertada. Faço as modificações no molde, e a peça é refeita.

Algumas peças acertam de primeira. Outras, mais difíceis, exigem várias tentativas — um casaco nosso, cheio de recortes em várias cores, precisou de cinco versões até ficar certo. Quando finalmente fica boa, a primeira peça é o tamanho M, que vai para a foto. Dali eu faço a graduação para os outros tamanhos, e volto a experimentar — porque um defeito pequeno na modelagem, que passou despercebido, fica evidente quando a peça é ampliada.

Uma rede de mulheres

A Bro nunca foi só minha. Desde o começo, ela é feita de mulheres.

Muitas das melhores ideias da marca vieram das clientes — das que vestem e das que vendem. Foram elas que pediram o macacão, que pediram para eu fazer mais, que me diziam o que estava faltando. Tenho clientes de atacado que estão comigo há vinte e cinco anos. Uma delas me disse que, se não fosse vender a roupa da Bro, a filha não teria se formado em medicina.

A nossa fábrica, em Vargem Grande, é predominantemente de mulheres. Tenho funcionárias que estão comigo há dezessete anos. Elas estão ali porque precisam trabalhar, mas também porque gostam do trabalho e do ambiente. Mesmo nos tempos difíceis — e nem tudo é fácil — eu me sustento num propósito: o de dar sustento a tantas famílias que estão com a gente há tanto tempo.

É uma rede de apoio de mulheres. Mulheres que acreditaram no produto, que investiram, que vestiram, que venderam. Quando vejo uma cliente antiga postar alguma coisa, eu mesma respondo — do perfil da marca, me identifico e digo que quem está ali sou eu.

O que faz uma peça ser Bro

Uma peça é Bro quando passou por esse caminho inteiro: a observação que virou ideia, a modelagem testada e refeita, o critério de ser confortável sem nunca ser vulgar. E quando carrega, mesmo sem dizer, a marca de quem a fez e de quem ajudou a fazer.

No fim, é sempre a mesma coisa que eu persigo: uma roupa que respeite a mulher que a veste — quem ela é, como ela se move, a imagem que ela quer passar para o mundo.

SOBRE A AUTORA

Bro

Ambrosina lançou a primeira coleção em 1995, no Rio de Janeiro. Trinta anos depois, ela continua no Rio, olhando cada peça que é feita na Bro

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