Diário

Trinta anos de disciplina

Por Bro

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4 min de leitura


Eu pratico esporte desde criança. Na escola, era a aluna que participava de tudo — corria, fazia arremesso, salto, jogava vôlei. Não havia uma atividade em que eu não estivesse.

Depois veio o voleibol para valer. Fui atleta federada, disputei campeonato. Foi o vôlei que me levou à educação física: quando decidi o que ia estudar, já sabia que queria trabalhar com ginástica, em academia. Uma coisa levou à outra de um jeito que, olhando hoje, parece quase inevitável.

A verdade é que eu não sei o que é ter uma vida diferente dessa. Não sei o que é viver sem a prática de esporte. Sempre foi assim.

A vida de atleta

Na época em que eu era atleta, morava em Natal. O treino começava às cinco da manhã — em Natal o sol nasce muito cedo, às cinco já é dia claro. Era levantar para o treinamento físico: corrida, escadaria no estádio para ganhar explosão. À noite, vinha o treinamento tático, na quadra.

Aquela rotina ficou em mim. O corpo aprendeu cedo o que era acordar e se mover, e nunca desaprendeu.

Não sei treinar fofo

Hoje, décadas depois, a relação com o treino continua a mesma — e eu diria até que ficou mais séria.

Eu não sei ir à academia e não treinar de verdade. Ou vou consciente de que aquele é um dia mais leve, social, e tudo bem; ou vou treinar, e é treino mesmo. Não sei treinar fofo. Fiquei, de certa forma, viciada na dopamina que o esporte dá — e sinto falta quando não tenho.

O corpo dá sinais

Uma das coisas que o tempo me ensinou é que o corpo fala, e que vale a pena escutar.

Quando você acorda de manhã, olha no espelho e está com o rosto inchado, é o corpo dizendo alguma coisa — em geral, sobre o que você comeu no dia anterior. Acordar inchada não é o normal. O normal é acordar leve, com energia, pronta.

Com os anos, fui ganhando essa consciência: perceber o que me faz performar bem, o que me faz amanhecer melhor. Uma coisa vai puxando a outra, e cada dia você quer ser um pouco melhor. Hoje eu sou muito mais disciplinada, com a alimentação e com o treino, do que era vinte anos atrás.

O açúcar

Minha relação mais difícil sempre foi com o açúcar, e eu prefiro ser honesta sobre isso.

Fui criada na fazenda dos meus pais, onde todas as frutas viravam doce. Doce de banana, de goiaba, de jaca, de caju. Eu comia doce no lanche da manhã, no da tarde, de sobremesa. Cresci assim. Em algum momento, tive que admitir para mim mesma que tinha esse vício — era a única forma de aprender a lidar com ele.

A virada veio por volta dos meus 35 anos, quando li uma entrevista da Carolina Herrera. Perguntaram a ela como tinha, naquela idade, uma pele tão bonita. Ela não falou de cosmético — disse simplesmente que não comia açúcar havia muitos anos. Aquilo foi um choque para mim. Comecei a pesquisar, a estudar, e fui entendendo o quanto o açúcar afetava a forma como eu me sentia.

Não foi rápido. Eu disse que aos 40 já teria parado; não consegui. Disse que aos 50 não comeria mais nada de açúcar; ainda escorregava. Faz uns seis, sete anos que cheguei a um ponto em que comer açúcar é, de verdade, muito raro para mim. Hoje muitas vezes olho um doce e simplesmente não tenho vontade. Demorou décadas — mas a disciplina, quando vira hábito, deixa de ser esforço.

O que eu diria

Às vezes me perguntam o que eu diria a uma mulher mais jovem, que está começando e quer tomar as rédeas da própria vida.

Eu diria que disciplina não é punição. Por muito tempo, quem treinava todo dia, acordava cedo e cuidava da alimentação era visto como exagerado — "essa pessoa só pensa nisso". Mas o que parece exagero de fora é, de dentro, apenas consistência. É o que faz você acordar com energia e querer de novo no dia seguinte.

E diria também o que aprendi como empreendedora, que no fundo é a mesma coisa: você precisa ter muita certeza do que quer. Ouvir as críticas, sim — mas filtrar o que é construtivo do que é só ruído. E insistir. Insistir sempre, mas com consciência, sabendo o que está fazendo. Não é insistir por teimosia. É insistir com clareza.

Os próximos 30 anos

São mais de trinta anos de Bro, quase quatro décadas frequentando academia. Quando penso nos próximos trinta, o que eu desejo é continuar surpreendendo.

Quero que a Bro esteja em todos os lugares, cada vez mais forte também no digital. Quero que seja uma roupa que as pessoas desejem de verdade — que esteja naquele imaginário coletivo de desejo. E, para isso, é preciso criatividade e é preciso manter a mente jovem. Eu não posso fazer roupa pensando só em mim. Tenho que fazer uma peça que uma mulher de 60 anos possa vestir e que uma de 20 também queira ter.

Para as minhas clientes, o que desejo é simples: que façam muito sucesso. E que saibam o tamanho da minha gratidão por terem caminhado comigo todo esse tempo.

Trinta anos de disciplina

Trinta anos me ensinaram que disciplina e cuidado não são sacrifício — são uma forma de viver com mais energia, mais clareza, mais prazer. É isso que eu vivo. É isso que desejo para as mulheres que vestem a Bro. E é isso que pretendo continuar fazendo pelos próximos trinta anos.

Acompanhe um dia da Bro

Acompanhe a Bro em um dia de produção, ensaio de fotos e ajuste de peças.

SOBRE A AUTORA

Bro

Ambrosina lançou a primeira coleção em 1995, no Rio de Janeiro. Trinta anos depois, ela continua no Rio, olhando cada peça que é feita na Bro

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